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Você está pronto? por Eleandro Prado
Você está pronto? por Eleandro Prado

Eleandro do Prado
Graduado em Enfermagem pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em Oncologia pelo Programa de Residência Multiprofissional do Hospital Erasto Gaertner
Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá – com ênfase nos cuidados aos pacientes oncológicos em fase terminal

 

Este é um questionamento que constantemente fazemos. Está pronto para isso? Ou pronto para aquilo? Mas você já se perguntou se está realmente pronto? Pronto para PARTIR? Pronto para morrer? A única certeza que todas as pessoas podem sustentar, sem exceção e sem esquivo, é a de que um dia morrerá.

Embora essa realidade seja um fato e irreversível, existe um certo tabu em torno dessa temática, uma barreira que tende a dificultar maior reflexão sobre ela. Quando a palavra “morte” é pronunciada arranca expressões de espanto. Mas por que a morte atormenta? Por que o simples fato de ouvir ou falar no tema causa medo e desconforto?  Há quem diga que abordar esse assunto suscita coisas ruins, ou que é conversa para quem está envelhecendo ou com alguma doença grave.

Do natural e familiar no século passado, hoje a morte se tornou um fenômeno a ser eliminado, um tabu pouco ou nada debatido. E parece que tudo à nossa volta fortalece essa negação, pois passamos a tratar o fim da vida com eufemismo. A fim de escondê-la demos a ela outros significados, tais como: “sono profundo”; “descanso”; “passagem para outra vida”, diante de um acidente ou assalto “a pessoa não resistiu”, no hospital o paciente não morre, ele “vai a óbito”. Assim, a morte foi sendo esquecida, sem que a sociedade percebesse que as pessoas sofrem por não discuti-la. Desta forma, vamos ignorando-a, evitando falar sobre ela e tampouco nos preparando, seja para a nossa morte ou de quem amamos.

Pensar sobre a morte pode ser assustador ou doloroso, entretanto, pensar sobre o morrer tem relação direta com pensar na vida, pode ser um tempo para se concentrar e compartilhar nossas expectativas e preocupações, nos ajuda a refletir sobre os valores e o sentido que conferimos à nossa vida. A morte faz com que a vida possa vir a ser melhor, assim, podemos afirmar que o sentido da morte é dar sentido à vida. É com a qualidade da vida que devemos nos preocupar e, não, com a sua duração.

Ao reconhecermos a nossa finitude, reavaliamos nossos comportamentos e escolhas, se tomamos como hábito e valores o acúmulo de bens materiais, coisas supérfluas ou o poder. A aproximação com a morte torna esses preceitos menos importantes, diante de outros valores que nos proporcionam mais dignidade, como dizer um “eu te amo” a quem amamos, pedir “perdão” a quem nos desentendemos e sobretudo dar sentido e valor aos pequenos detalhes da vida.

A vida ganha em intensidade e em valor se confrontada com a morte. Pensar na morte é uma das fórmulas eficazes de se conferir um salto qualitativo à vida. É o convite que fazemos a quem não desanimar diante dessa reflexão. Vamos falar sobre a morte. Afinal, vamos nos auto indagar se estamos ou não prontos para partir ou deixar alguém que amamos partir.

Diante da manifestação da morte é que podemos aprender que tudo passa. É nesse momento que nos questionamos ao final dessa curta existência, o que terá verdadeiramente valido a pena? Como os meus dias estão sendo vividos? Tenho amado o suficiente? O que realmente me faz feliz? O que me faz merecer viver? Respeite e aproveite seu tempo aqui.

Embora saibamos que, mal nascemos já começamos a morrer, entre esses dois acontecimentos há espaço e tempo suficiente para viver, amar, perdoar, rir, aprender e dividir. A vida é curta, mas seu conteúdo pode ser intenso, depende de cada um a qualidade que conferirá a sua vida, e que a morte seja apenas um ponto de partida dessa bela aventura chamada VIDA!

 

Baseado na obra de José Renato Nalini: Reflexões jurídico-filosóficas sobre a morte

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