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Tecnologias e inclusão: uma reflexão, por Lucia Virginia Mamcasz Viginheski
Tecnologias e inclusão: uma reflexão, por Lucia Virginia Mamcasz Viginheski

Lucia Virginia Mamcasz Viginheski
Graduada em Matemática pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em Ensino de Matemática pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Mestre em Ensino de Ciência e Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Doutora em Ensino de Ciência e Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Em uma discussão sobre o uso de tecnologias para o ensino de matemática em tempos de isolamento social, um professor declarou que as tecnologias não incluem estudantes cegos. A partir disso, surgiram alguns questionamentos, que motivaram a escrita desse texto: será que são as tecnologias que não incluem? Quem cria as tecnologias?

Alguns artefatos tecnológicos, desenvolvidos cientificamente para atender as necessidades das pessoas com deficiência visual, acessam aos bens sociais e culturais por meio digital. Como exemplo desses artefatos, citamos o Dos Vox, o NVDA, o JAWS e o Talkback, que possibilitam o acesso ao conhecimento escolar, contribuem para a inclusão dessas pessoas em outras áreas da vida, tais como no mercado de trabalho, no lazer, na vida social, entre outras.

Apesar de acessar muitos conhecimentos, esses artefatos apresentam algumas limitações no ensino da matemática, como por exemplo, não realizam a leitura de imagens e fragmentam a leitura de equações matemáticas. Desta forma, não fornecem ao estudante cego, de modo completo, informações necessárias para a interpretação e solução dessas equações. Em função dessas limitações, também não promovem o acesso desses estudantes a outras ferramentas digitais, específicas da área da matemática, como o Geogebra, o Matific, e outras.

Essas limitações acontecem também em outras áreas. Recentemente um estudante cego cursou o bacharelado em Fisioterapia, na UniGuairacá. Tanto ele, quanto seus professores, encontraram dificuldades de acesso a equipamentos tecnológicos utilizados na realização de procedimentos no atendimento aos pacientes. Apesar de ele memorizar as ações para a utilização dos equipamentos, era necessária a supervisão de uma pessoa vidente, para certificar que suas ações estavam corretas. Essa supervisão poderia ser dispensada, caso esses equipamentos contassem com leitores de tela. Com isso, ele poderia desenvolver os procedimentos com autonomia e independência.

Assim, ele e outros alunos que possuem cegueira, que estudam em diferentes áreas do conhecimento, enfrentam dificuldades frente às limitações que os artefatos tecnológicos apresentam, porque foram desenvolvidos para pessoas que enxergam.  

O que queremos com essa explanação é chamar a atenção das pessoas sobre a necessidade de, ao desenvolverem uma tecnologia, ao pensarem em uma metodologia de ensino, ao criarem uma determinada ferramenta, considerar a necessidade das pessoas, para que todas possam se beneficiar com o seu uso. Isso é possível, porque já existem tecnologias que promovem essa inclusão.

A nossa sociedade precisa de um olhar de sensibilidade para as diferenças e de colocar-se no lugar do outro para entender as suas necessidades. Dessa maneira, teremos uma sociedade inclusiva.

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