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Precisamos falar sobre a primeira infância, por Larissa Gramazio Soares
Precisamos falar sobre a primeira infância, por Larissa Gramazio Soares

Larissa Gramazio Soares
Graduada em Enfermagem pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em Urgência e Emergência: pré-hospitalar a UTI pela Faculdade Guiaracá
Especialista em Enfermagem em Pediatria e Cuidados Intensivos Neon pelas Faculdades Pequeno Príncipe
Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Maringá
Doutoranda em Enfermagem pela Universidade Federal do Paraná

 

O desenvolvimento ocorrido na primeira infância está associado a uma série de resultados ao longo da vida adulta.  É preciso reconhecer que os cuidados dispensados às crianças de hoje implicarão em resultados na sociedade futuramente.

Conceitualmente, primeira infância compreende o período que vai do nascimento até os 6 anos. Mais especificamente, faz parte desse período a primeiríssima infância, fase ainda mais importante para o desenvolvimento infantil, que vai de 0 a 3 anos.

Nos últimos anos houve um grande avanço na ciência sobre o desenvolvimento humano na primeira infância. As evidências da neurociência apontam que não há período na vida do ser humano mais importante do que durante os seus primeiros anos, pois é nesse período que o desenvolvimento cerebral é mais acelerado.

As evidências indicam que a arquitetura cerebral é moldada pela interação entre herança genética e influências do ambiente em que a criança vive e se desenvolve. Fomentar ações para a primeira infância representa uma janela de oportunidades para uma sociedade saudável e produtiva, com futuro próspero e sustentável, a partir de bases sólidas que permitam uma adequada construção social a partir do desenvolvimento infantil favorável.

O desenvolvimento de cada criança é amplo, complexo e dinâmico. Ocorre a partir da interação de diferentes contextos, sendo biológico, cultural, social e de experiências, particularmente as experiências de cuidado.

Indiscutivelmente, o contexto ambiental mais poderoso no desenvolvimento da primeira infância é o relacionamento e o vínculo entre a família e a criança. As evidências científicas atuais indicam que o ambiente no qual a criança está inserida é tão ou mais importante que a própria herança genética.

Durante essa fase, é necessário suprir as necessidades das crianças, pois ela é incapaz de prover o seu próprio cuidado. Algumas das necessidades que facilitam o pleno desenvolvimento incluem entre outras, alimentação, higiene, vacinação, proteção física, segurança, sono e repouso. Sobretudo, a amorosidade, o carinho e a dedicação devem permear todo esse cuidado dispensado à criança durante a primeira infância.

Assim, é possível que o cérebro associe as dimensões emocionais, psicológica e social a partir de estruturas neuronais robustas; e reconheça a satisfação das necessidades mais básicas. Do básico a criança pode tornar-se independente, desenvolvendo assim, uma ampla gama de domínios primordiais para o desenvolvimento de suas potencialidades.

Atender as necessidades essenciais da primeira infância é um fator decisivo para o desenvolvimento infantil favorável. Para isso, não é preciso lançar mão de ações complexas e altamente inovadoras, pauta-se basicamente na interação humana com a criança, ao envolver-se no cantar, dançar, escutar músicas, ler e inventar histórias, embalar no colo, proporcionar abraços reconfortantes, manter contato visual afetuoso, brincar com brinquedos, brincar com o corpo, brincar com outras crianças, enfim, brincar.

É preciso reconhecer ainda que para o desenvolvimento favorável na primeira infância não se limita exclusivamente à família. Existem outros componentes inseridos num contexto político e social mais amplo e abrangente, que tem implicância direta nesse processo.

Em tempos de mudanças políticas e incertezas, as discussões sobre ações acerca da primeira infância devem ser estimuladas e priorizadas. Assim, é imprescindível que políticas públicas sejam implementadas com ações conjuntas em diferentes serviços e setores, assegurando a promoção do desenvolvimento infantil. Além disso, um trabalho colaborativo, especialmente entre profissionais de saúde que cuidam de crianças, pode funcionar como alavancas significativas para a mudança de paradigma e assim possam atuar como promotores do desenvolvimento infantil.

A importante mensagem para ser levada em consideração é que a promoção de interações saudáveis permeada por amorosidade e afeto entre família e criança deve ser cada vez mais estimulada, e que os contextos em que a criança vive e se desenvolve impulsionarão a atividade cerebral e as ligações entre os neurônios, fornecendo assim, uma base sólida para o desenvolvimento infantil com implicação direta na preparação das crianças para o futuro.

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