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O educador frente à mediação na resolução de conflitos, por Diego e Lucinéia
O educador frente à mediação na resolução de conflitos, por Diego e Lucinéia

Dizem hoje que vivemos outros tempos. É comum ouvirmos expressões tais como: “na minha época não era assim”, ou então, “a se fosse na minha época (em tom de ameaça)”. A verdade é que sempre tivemos uma relação conflituosa com o tempo, ora por achar que ele passava muito devagar, ou agora por acharmos que ele passa muito depressa, e nunca é suficiente.

O ambiente educacional é por natureza um espaço no qual vivemos de perto esse impasse: de diferentes concepções de mundo, e de diferentes tempos convivendo no mesmo presente. Passado, presente e futuro. O profissional da educação que se prepara atualmente para entrar no mercado de trabalho deve estar atento a esse jogo difícil de ser jogado, mas que, no entanto, não é impossível. Para tanto, algumas questões que vão para além do domínio de conteúdos e práticas avaliativas devem ser levadas em consideração.

O educador de hoje precisa ter habilidade para gerenciar questões de conflito. Essas situações são inerentes a nós, seres humanos convivendo em sociedade, e não representam algo ruim, mas devem ser vistas como oportunidades para melhorar práticas, pessoas, situações, ambientes.

Essas situações acontecem em todos os lugares de uma instituição de ensino, seja ela de educação básica, de ensino superior, pública ou privada: na sala de aula, no pátio, fora dos muros da escola; acontece com professores, funcionários, gestores. Elas podem ser: descompasso entre as expectativas e aquilo que é ofertado, vontade que as situações/espaços e pessoas fossem/agissem de forma diferente, ou até mesmo a “falta de ressonância” no discurso, seja para ensinar o conteúdo, fazer respeitarem-se as regras, efetivar ações de ensino-aprendizagem.

Estar atento a isso e aprender a ter gestão sobre essas situações é muito importante. Na verdade, o trabalho do educador precisa ter como premissa a gestão: do tempo, de materiais, de metodologias, de práticas, de pessoas e situações. Quando se consegue lidar com esses elementos de forma organizada e com discernimento, conquista-se a autoridade, o respeito, que, por conseguinte, impedirá que enfrentamentos desnecessários aconteçam.

Segundo Telma Pileggi Vinha, existem dois grandes problemas que geram conflitos nos ambientes educacionais: a incivilidade e a indisciplina. A incivilidade pode ser entendida como a não aceitação de condutas que são esperadas de uma boa educação para a convivência tranquila entre as pessoas. É o desrespeito às pessoas, ao espaço, questões que extrapolam as possibilidades de ação das instituições de ensino. Já a indisciplina está ligada ao fazer pedagógico, à relação que se estabelece entre o educador e o educando. Quando essa relação, por algum motivo, não é respeitada por uma das partes, quebra-se o contrato e uma situação propícia à aprendizagem não consegue acontecer.

É muito comum ouvirmos hoje expressões tais como: “Eu quero ensinar, mas eles não querem aprender”, ou então “Eles não estão nem aí para nada”. Essa é claramente uma situação de conflito que interfere na qualidade dessa relação de aprendizagem que deve acontecer entre as duas partes do jogo. Será que estamos tentando efetivar essas situações de aprendizagem de diferentes formas? Será que a língua que estamos falando está sendo compreendida? Será que nossos objetivos estão claros? Será que conquistamos a autoridade a partir de nossas ações ou estamos tentando impor sem legitimidade?

É condição essencial para o profissional da educação da atualidade ter clareza do contexto que vivenciamos: da mudança rápida, das necessidades que antes não existiam, da fluidez, ou até mesmo, conforme Zygmunt Bauman, da “modernidade líquida”. Entender a realidade dos educandos, da comunidade escolar, tentar se colocar no lugar do outro, estabelecer diálogo franco, explicitar o motivo das regras e “contratos” que precisamos estabelecer para conseguir conviver e trabalhar em grupo ajudam na conquista da transformação do conflito em uma boa oportunidade de mudança.

Antes de sermos profissionais dessa ou daquela área, somo seres humanos. Ou melhor, o indivíduo que somos constrói e se reconstrói com o profissional que construímos. Não pensamos somente com a razão, nem conseguimos deixar de lado nossas concepções de mundo, de certo e errado, de bom ou ruim. Ou seja, somos seres fadados a vivenciar todos os dias situações de conflito, pois não existe no mundo pessoas que pensem exatamente igual, ou que vejam o mundo da mesma forma, com os mesmos valores.

Viviane Mosé, ao falar sobre educação e afetividade, define de forma perspicaz o conceito de gestão, afirmando que gestão nada mais é do que a “conversa” que temos com nós mesmos, que a escola tem com ela mesma, que todas as instituições têm consigo mesmas, a fim de estabelecer quais são as nossas responsabilidades individuais e em conjunto em prol de um objetivo comum. Ou seja, estar apto a agir de forma positiva em situações de conflito requer que tenhamos clareza, antes de tudo, de nosso papel social enquanto educadores.

 

Diego da Luz Nascimento Tecchio
Graduado em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em Arte, Educação e Saúde pelo Instituto Superior de Educação da América Latina
Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em MBA em Gestão do Conhecimento na Educação Superior pela Faculdade Guairacá
Mestre em História pela Universidade Federal de Pelotas

 

Lucinéia Moreira de Souza
Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Graduada em História pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em Educação Especial pelas Faculdades Integradas do Vale do Ivaí
Especialista em Psicopedagogia Institucional e Clínica pela Faculdade de Ensino Superior Dom Bosco
Especialista em Gestão Escolar pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Especialista em MBA em Gestão do Conhecimento na Educação Superior pela Faculdade Guairacá
Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Doutoranda em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa

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