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Educação para valores, por Carla Maria de Schipper
Educação para valores, por Carla Maria de Schipper

Carla Maria de Schipper
Graduada em Letras pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Itararé
Graduada em Pedagogia pela Cesumar
Especialista em Psicopedagogia pelo Campus Universitário Bezerra de Menezes
Especialista em Educação para Portadores de Necessidades Educacionais Especiais pela Faculdade de Ensino Superior de Marechal Cândido Rondon
Especialista em Ensino da Língua Portuguesa e Literaturas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
MBA em Gestão do Conhecimento na Educação Superior pela Faculdade Guairacá
Mestre em Educação pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Doutora em Educação pela Universidade Federal do Paraná

 

Adentro, caro leitor, em um tema controverso e delicado.

Relembrando que valores são o conjunto de características morais e individuais manifestada nas relações entre os seres humanos e entre outros seres da natureza, revelada em atitudes e opiniões acerca de um determinado fato ou situação vivenciada.

Os valores estão inseridos nos princípios, que são mais abrangentes, pois trazem bases universais de sustentação moral destes valores.

É recorrente nas rodas de conversas nas escolas, nas igrejas e nas famílias a argumentação de que estamos vivendo uma “crise de valores”, mas proponho uma reflexão sobre os sentidos que estão presentes nesse discurso.

Talvez você concorde ou discorde, mas o conjunto de valores necessita de atualizações à configuração da sociedade atual. Sabe-se que muitos debates trazem o saudosismo a valores de obediência unilateral de outrora e, muitas vezes, são apenas estes os que permeiam as práticas de ensino moral nas escolas e nas famílias.

La Taille e Menin (2009) trazem a discussão dos valores aos tempos pós-modernos, argumentando que estes não estariam em desuso, como muitos apregoam, mas em “processo de mutação”, (p.10), em “um rearranjo moral, ao aparecimento de novas modalidades de relacionamento, à valorização de determinadas virtudes, a novas inquietações éticas, e não a uma volta a uma condição pré-moral” (p.11).

Ainda carente de um reordenamento, La Taille (2019, p. 8) discute a moral na contemporaneidade observando que o medo, a insegurança e a resistência moral são elementos característicos da pós-modernidade a exercer alguma influência sobre as reflexões e atitudes morais dos indivíduos. Além disso, novos juízos morais estão sendo traçados a respeito de temas sociais característicos da contemporaneidade.

São novos tempos, novas gerações, novos valores e outros sendo reordenados. Mas o que assistimos, normalmente, ocorrer nas escolas é o uso da “mala das virtudes”, com uma nítida volta a preceitos pré-morais, com estratégias de ensino de moral verbalista em momentos agendados, com tempo prescrito.

Vinha (2000, p. 40) nos faz refletir que “[…] não adianta tentarmos ensinar moralidade, pois ela é construída a partir da interação do sujeito com o meio em que vive. É constituída por experiências com as pessoas e as situações”.

Vinha et al. (2017, p. 8) refletem que a heterogeneidade de valores na sociedade pós-moderna não impede que se estabeleça uma base ética comum para a constituição de princípios, como a justiça (igualdade e equidade), o respeito, a dignidade, a solidariedade, a diversidade, a liberdade, o respeito a vida, a generosidade, a cidadania, a convivência democrática, a cooperação, a sustentabilidade, dentre outros.

Convém salientar que “os programas doutrinadores não permitem nada disso, ao contrário, postulam que o professor possui o conhecimento moral que os estudantes devem aceitar sem questionamentos.” (REIMER, 1997, p. 77)

Em consideração a isso, deve-se alertar que a educação em valores, em um terreno autocrático, pode assumir posturas doutrinárias em que o conjunto de virtudes é transmitido como verdades absolutas ou ainda aquelas que preferem uma postura mais relativista ou laissez-faire sem assumir a função de educação em valores (MENIN, 2002, p. 91).

A posição relativista é igualmente negativa pelo fato de que ao ser negligente com a educação em valores, poderão eclodir formas não cooperativas de relações, normalmente enviesadas pela violência verbal e/ou física.

Finalizando esta reflexão, precisamos considerar que a moral é desenvolvida, assim como a nossa capacidade cognitiva, sob influência do meio social e da cultura.

Crianças com formação moral e ética, baseada em princípios democráticos e cooperativos, serão adultos que não aceitarão passivamente os mecanismos de ações que prejudicam o bem-estar da coletividade e da natureza, já o oposto produzirá pessoas passivas a estes mecanismos ou que os reproduzirão de modo natural.

 

REFERÊNCIAS:

LA TAILLE, Y. Moral e contemporaneidade. Revista Schème. Volume 11 Número Especial/2019. Disponível em: www.marilia.unesp.br/scheme Acesso em: 21 de jul. 2019.

LA TAILLE, Y. de. ; MENIN, M. S. de S. Crise de valores ou valores em crise? Porto Alegre: Artmed, 2009.

_____. MENIN, Maria Suzana de Stefano. Valores na escola. Educação e Pesquisa, [s.l.], v. 28, n. 1, p.91-100, jun. 2002. FapUNIFESP (SciELO). Acesso em 05 jan. 2019. http://dx.doi.org/10.1590/s1517-97022002000100006.

REIMER, J. El enfoque de la comunidad justa: la democracia de un modo comunitário. In KOHLBERG, L.; POWER, F.C.; HIGGINS, A. La Educacion Moral Segun Lawrence Kolberg. Gedisa Editorial, S.A. Barcelona, Espanha, 1997

VINHA, T.P. O educador e a moralidade infantil: uma visão Construtivista. Campinas, SP: Mercado das Letras: São Paulo: FAPESP, 2000.

VINHA, T.P. et al. Da escola para a vida em sociedade: o valor da convivência democrática. Americana, SP: Adonis, 2017.

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