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A geração que desaprendeu a brincar, por Bianca Garcia e Luiz Augusto
A geração que desaprendeu a brincar, por Bianca Garcia e Luiz Augusto

Luiz Augusto da Silva
Graduado em Educação Física Licenciatura e Bacharelado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual do Centro-Oeste
Doutor em Educação Física pela Universidade Federal do Paraná

Bianca Raquel Garcia
Graduada em Pedagogia pela Faculdade Guairacá
Especialista em Ciência da Família pela Faculdade Guairacá
Especialista em Regulação em Saúde no SUS pelo Hospital Sírio -Libanês
Mestranda em Ensino de Ciência e Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná

 

Teve um tempo em que as tecnologias digitais não eram de fácil acesso como o smartphone, vídeo game e notebook. O tempo era gasto com brincadeiras na rua, dentro de casa, na chuva, com bola, sem bola, com expressões de criatividade e de vontade para participar de convivências sociais com seus amigos, filhos e vizinhos.

Ser criança entre a década de 60 até anos 90 nos colocava a desenvolver habilidades que necessitavam interpretar a vida de forma intrigante, como por exemplo, o quão rápido o barco de papel viaja pela corrente de água feita pela chuva na rua, ou como você deveria se comportar no momento em que estivesse escondido para que não pudessem te encontrar no esconde-esconde. Quem se lembra de se frustrar por ser café com leite no pega-pega ou até mesmo brincar de bete ombro e saber o quanto divertido é passar a tarde aprimorando suas conquistas em jogar bolinha mais longe?

O ato de brincar é intrínseco ao ser humano, Vygotsky (2007) afirma que o brincar é uma atividade humana criadora, na qual imaginação, fantasia e realidade interagem na produção de novas possibilidades de interpretação, de expressão e de ação pelas crianças, assim como de novas formas de construir relações sociais com outros sujeitos, crianças e adultos.

A brincadeira auxilia no desenvolvimento da criança de forma intensa e marcante onde ela leva o conhecimento adquirido para o resto de sua vida. Durante a brincadeira a criança monta, desmonta, cria, constrói, desconstrói, inventa, cria regras, ganha, perde, começa tudo novamente.

Atualmente, participação em atividades pedagógicas nos mostram ambientes em que crianças brincam, porém, de uma maneira diferente quando comparada com outras épocas, talvez no interior ainda longe das tecnologias digitais e, ambientes que crianças possuem como passatempo estas atividades digitais. Não é porque estas atividades não sejam importantes, pelo contrário, mas o exagero em ficar em casa, de não se movimentar e se expressar está limitando as ações psicomotoras, tornando nossas crianças descoordenadas fisicamente, sem criatividade cenestésica, com prejuízo de desenvolvimento motor, por consequência, no desenvolvimento biopsicossocial.

Encontramos hoje crianças que não sabem contar o que gostam de comer, onde moram, quem são seus vizinhos, os nomes de seus amigos e até de sua professora, pois na hora da alimentação, no trajeto de casa e quando chegam em casa, veem vídeos no celular ou estão jogando no notebook, sem perceber o que acontece ao seu redor. Mas sabemos que para desenvolver essas pequenas habilidades é necessário o desenvolvimento da linguagem, a observação, a imaginação, criar, reinventar e produzir cultura.

O brinquedo, para ser um brinquedo, precisa ser um desafio, precisa encher os olhos, aguçar a criatividade, precisa da participação ativa da criança e não apenas sua reprodução.

As brincadeiras de hoje estão direcionadas ao domínio dos objetos, o tempo e o espaço de brincar estão reduzindo, juntamente com as interações sociais. Nunca em tempo algum se gostou tanto das crianças e ao mesmo tempo, hoje, se produzem cada vez menos crianças e cada vez mais dispõe de menos tempo e espaço para elas.

Precisamos resgatar a capacidade de brincar, que deve ser reaprendida permitindo aos nossos pequenos o resgate de habilidades coletivas, criativas e biopsicossociais. Não apenas ignorando as atividades digitais, mas incluindo as mesmas nas conquistas motoras de crianças e adolescentes, permitindo-os o desenvolvimento integral.

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