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A curva do esquecimento, a repetição espaçada e uma solução tecnológica, por Denis Veiga
A curva do esquecimento, a repetição espaçada e uma solução tecnológica, por Denis Veiga
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10/09/2018

Denis Macias Veiga
Graduado em Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Faculdade Guairacá
Especialista em Docência no Ensino Superior pela Unicesumar

 

É muito comum recebermos uma informação como um número de telefone, endereço ou nome e minutos depois esquecer completamente. Apesar desses frequentes ‘apagões’ de memória preocupar muitas pessoas, saiba que isso é perfeitamente normal. Esquecer uma informação recebida minutos após recebê-la é um fato fisiológico, já que o cérebro humano não é muito eficiente quando se trata de memória de longo prazo.

O nosso cérebro é muito seletivo, ou seja, ele escolhe aquilo que vai guardar de acordo com o grau de importância da informação. A neurociência revela que quando uma pessoa aplica mais emoção, concentração e sentidos do sistema sensorial no processo de aprendizagem, mais fácil fica guardar a informação na memória de longo prazo. Segundo Izquierdo (2011), para que uma informação possa migrar da memória de curto prazo para a de longo prazo, deve-se considerar a importância da informação para a pessoa, a codificação adequada e a repetição da informação, sendo a última o foco deste artigo.

 

A curva do esquecimento

O pesquisador alemão Hermann Ebbinghaus (1850 – 1909) foi o primeiro autor na psicologia a desenvolver testes de inteligência, avaliando a capacidade e o tempo de armazenamento de dados na memória humana. Ebbinghaus notou que a memória possui tempos distintos de duração. Segundo Goodwin (2005), o resultado das pesquisas realizadas por Ebbinghaus revelou que o esquecimento era exponencial, ou seja, era muito rápido nos primeiros 20 minutos (1/3 de hora), mas depois a taxa de esquecimento reduzia. O pesquisador notou que nos primeiros vinte minutos 40% do material estudado era esquecido, retendo na memória apenas 60% do conteúdo. Depois de uma hora era esquecido 55% dos dados memorizados, sendo o aproveitamento de apenas 45% e depois de 24 horas 66% do conteúdo estudado era esquecido.

Hermann Ebbinghaus determinou que ao considerar qualquer número significativo de repetições de memorização, a distribuição adequada ao longo de um período de tempo é predominantemente mais vantajosa que a concentração da memorização em apenas um momento (GOODWIN,2005). Os estudos de Ebbinghaus revelam que a quantidade de estudo ou tentativa de memorização concentrada não é eficiente, ou seja, o aprendizado real ocorre em revisões e repetições espaçadas.

Curva do esquecimento

De acordo com o gráfico da figura 1, na primeira hora após a memorização é esquecido mais da metade do material estudado e em 24 horas apenas 34% do conteúdo foi retido na memória. Observando esse resultado, o professor Pierluigi Piazzi (2015) afirma que todo conteúdo estudado deve ser revisado em até 24 horas, compensando a queda abrupta de memória das primeiras horas.

Segundo Piazzi (2015, p.83), a fixação da memória de longo prazo ocorre de maneira lenta e penosa, “escrever a habilidade ‘andar de bicicleta’ é um processo penoso e demorado, mas, depois de aprendido… essa habilidade nunca será apagada”. O autor ainda afirma que as tarefas devem ser realizadas no mesmo dia da aula dada. “Aula dada… aula estudada hoje!” (PIAZZI, 2015, p.100).

 

Anki Web e AnkiDroid

Para quebrar essa curva do esquecimento surgiram algumas ferramentas tecnológicas como o Anki Web e AnkiDroid (sua versão Mobile). O Anki é uma ferramenta gratuita e que propõe quebrar a curva do esquecimento proposto por Hermann Ebbinghaus. Como foi observado, não basta apenas estudar diversos assuntos, mas é fundamental lembrar daquilo que foi estudado. Com revisões periódicas é possível driblar o problema do esquecimento exponencial da curva do esquecimento.

Para utilizar o Anki, basta que os alunos, professores ou outros profissionais tenham acesso à internet, computador, celular ou tablet, pois o mesmo possui sua versão web e aplicativo, ambos gratuitos. O professor pode enviar ‘decks’ (baralhos) prontos para que seus alunos possam importar em seu próprio dispositivo, com todo o conteúdo, podendo até mesmo conter imagens e áudio. O sistema também funciona em modo off-line se estiver instalado no computador ou celular. O acesso à internet é exigido somente na versão web do Anki. Cada aluno pode ter seu próprio conjunto de decks, separado por disciplinas, sendo estes importados do professor ou elaborados pelo próprio aluno.

O Anki é um recurso tecnológico que pode ser de grande valia no processo ensino-aprendizagem, pois pode motivar os alunos a querer aprender mais, já que estes estão intimamente ligados à tecnologia no seu dia a dia. Além disso, a plataforma pode servir de repositório de conteúdo didático relevante, podendo ser reutilizado por toda a instituição de ensino. Apesar dessa tecnologia auxiliar no processo de memorização, não podemos esquecer que o conteúdo do mesmo deve ser relevante e elaborado de acordo com preceitos pedagógicos. Não basta apenas encher os ‘Decks’ com longos e exaustivos textos, é necessário utilizar técnicas como mapas mentais, técnica Feynman, mnemônica, entre outras. Lembrando sempre que nosso cérebro é seletivo, sendo assim, devemos formatar essas informações, agregando relevância e importância à elas.

 

IZQUIERDO, I. Memória. 2.ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.

GOODWIN, C. James. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 2005.

PIAZZI, Pierluigi. Estimulando a Inteligência: Manual de Instrução do Cérebro do seu Filho. 2ª ed. São Paulo: Goya, 2015.

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Muito boa a matéria!

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